Programação Carnaval 2015

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brejeiro

Ta aí o que você queria… Mais uma vez preparei uma programação pegada para o meu/nosso carnaval com algumas dicas…

Tinha até escrito dicas de segurança, vestuário e fantasia, mas devido a problemas com o wordpress eu perdi tudo e não estou afim de escrever outra vez.

E, mais uma vez, uma programação pop-cult-locurage-bacaninha, que modestamente este folião prepara.

No último ano fizemos uma inovação, colocando uma programação com várias alternativas, que se manteve.

Seguem as dicas:
SEXTA/TARDE:

SAMBA*: Carmelitas/Almirante Alexandrino (em frente ao CEAT em direção ao cristo) – 15h as 19h – Sta. Tereza. Bloco tradicional quediminuiu com a mudança de local da concentração. O ideal é ficar entre o Carro principal e o carro de apoio da frente. Subir pelo Cosme Velho!
NÃO IR: Bloco dos Aposentados – Tipo Bloco de tiazona e do Vovô.

SEXTA/NOITE:

SAMBA: Bloco Rival sem Rival/Rua Alvaro Alvim em frente ao Rival na cinelândia. – Bloco no centro que é o grito de carnaval de quem sai do trabalho antes do feriadão. Segurem suas carteiras que o furto come solto, mas no repertório e no público é bem bacana.
OUTROS*: Brejeiro/Metrô do Flamengo com a Marquês de Abrantes (bar Picote) umas 19, 20 horas. Bloco autogestionado que não pede autorização, e não marca a saída. Composto por músicos da orquestra voadora, Siderais, Cinebloco e vários outros, toca o que quiser(em). Segue na contramão da Paysandu para a São Salva!
OUTROS*: Bloco Bagunço/Avenida Pasteur atras da UFRJ (esquina com R. Dr. Xavier Sigaud) – Bloco novo com boa parte dos viciados em música da oficina da orquestra voadora. Deve ser uma loucuragem das boas. marcado para as 18:07
NÃO IR: Cobra Sarada – Bloco dos fortinhos de academia de laranjeiras, e região. Pessoas que tomam way, e tiram fotos na frente do espelho!
SABE-SE LÁ. Fala Puto que eu te Escuto – Odeon/Cinelandia – Bloco dos comunicadores do Rio de Janeiro que sai pela primeira vez.

SÁBADO/MANHÃ:

SAMBA: Céu na Terra/Largo dos Guimarães para o Largo das Neves as 7h (sete horas da matina), mas cheguem antes – Cheio? É! Confuso? Sim! Mas chegando cedo e ficando na frente da bateria vale muito. O Clima de Santa é sempre bacana…
OUTROS: Multibloco – Uma opção mais tarde (11h) bacana, e perto do depósito para comprar bebida!
OUTROS: Truque do desejo 11h da praça do Russel/Gloria – Bloco de pagodera anos 90… Molejo, SPC, katinguelê…
NÃO IR: Bola Preta – É só o maior Bloco do mundo. Bondes, multidões, calor, porrada, equipes de bate-bola (essa parte é legal). Beira o suicídio. Se quiser manter a dignidade e seguir pelo resto do carnaval, não vá! Ou vá e corra para um Spá em seguida!
NÃO IR: Dois Pra lá, Dois pra cá.- Bloco do Carlinhos de Jesus, de sua escola de dança. Tem abadá e atrasa até as “estrelas chegarem”.

SABADO/TARDE:

SAMBA: Barbas O bloco sai da Rua Arnaldo Quintela 16h, entra na Rua da Passagem e vai até a Rua Álvaro Ramos. O destaque é o Carro pipa e o samba do ano. Misturam algumas músicas e não ficam o tempo todo tocando a mesma coisa.
SAMBA:  Bloco Carioca da Gema/ palco em frente a fundição – O carioca é celeiro de grandes sambistas e esse bloco deverá ser o reduto do bom samba no carnaval.
OUTROS: Grupo de Estudos do Baque Virado. Um dos filhos do Rio Maracatu. Sai as 15h (com atraso) do aterro na altura do Belmonte do Flamengo. Vem andando para a São Salvador.
OUTROS*: Fanfarra Black Clube, Bar do gomes/Santa Teresa – Fanfarra dos Filhotes da Orquestra Voadora. Black, Swing, A boa do pós Céu na Terra.
NÃO IR: Terreirada Cearence  – Fora uma melhora extraordinária no repertório e na organização, será um bloco lotado, com poucos músicos, repetindo meia dúzia de forrós em ritmo leeeeeeennnnnntttooooozzzzzzzzz……

SÁBADO/NOITE:

SAMBA: Aconteceu. Tradicional bloco de sambas de Santa Teresa que sai as 17h (com muito atraso)do Largo das Neves
OUTROS*: Enquanto Corria o Bloco. 18 h no arco dos telles.. É o bloco de novos baianos, ou seja, amor da cabeça aos pés!
NÃO IR: Os móveis… Turma de antiquário fazendo bloco…

DOMINGO/MANHÃ/TARDE:

SAMBA: BOITOLO/BOITATÁ: Todos os caminhos levam para a Praça XV e palácio Tiradentes de onde saem os dois tradicionalíssimos Um grande bailão com TODOS fantasiados ou uma festa épica pelas ruas do centro com roteiro incerto. Da pra ir nos dois! Bloco cedo. 8 da Matina!
OUTROS: Bangalafumenga no Aterro as 10h. Uma pesquisa por outros ritmos. Um dos grandes do Aterro. Mas se prepare para o inferno…
NÃO IR: Areia – Bombados de Leblon e Ipanema achando que estão em micareta.

DOMINGO/TARDE:

SAMBA: Simpatia é quase amor – General Osório/Ipanema – Alô burguesia de Ipanema… o bloco mais antigo da zona sul é sempre uma pedida, ainda que cheio, com playboys e turistas.
OUTROS: Exalta Rei as 14h seguido do Toca Raul, as 18h na Praça Tiradentes. Um é a exaltação do maior Rei que pisou aqui (após reginaldo Rossi), Roberto Carlos. Em seguida é o de sempre.. as pessoas ficam bêbadas e começam a pedir pra tocar Raul. Dai fizeram um bloco só de Raul Seixas.
OUTROS: É do Pandeiro. Calminho para quem morreu antes. Parado na São Salvador, bloco só de pandeiros. 17h
OUTROS: Tambores de Olokum. Maracatu com uma pegada diferente, com um acréscimo forte do Timbau e das batidas do Camdomblé! 16h na Igreja de N. Sra. Do Rosário, Uruguaiana 77
NÂO IR: New Kids on the block – Bloco de Boy band… Preciso falar mais?

DOMINGO/NOITE:

SAMBA: Cacique de Ramos Após as 21h na Rio Branco. É apenas o Cacique, e não existe melhor definição!
OUTROS: Outros? É o Cacique!
NÃO IR: Qualquer outro.

SEGUNDA/MANHÃ:

SAMBA: Volta Alice, Rua Alice 24, as 10h. Samba do ano alternado com outros. Uma batera de percussionistas de tudo quanto é canto.
OUTROS: (É difícil encontrar algo bom na segunda de manhã… )
NÃO IR: Afroreggae – O Afroreggae fica em Vigário Geral, mas sai em Ipanema pois quer dar a chance aos racistas de dizerem que convivem com a cultura negra. Patrocínio da Globo e flashes para o Multshow… Deu né?

SEGUNDA/TARDE:

SAMBA: Cartola é do Catete. Bloco em homenagem ao Cartola. Boa música e gente com bom gosto. 16:20 do Largo do Machado.
OUTROS: Comuna que Pariu (bloco comunista). Bloco dos comedores de criancinha. Se tiver filhos, leve envolto em um Alface para facilitar a digestão.15:00 – Câmara dos Vereadores – Cinelândia
OUTROS: Bloco Brasília Amarela – Como o nome insinua, bloco de Mamonas assassinas… Pode ser engraçado.
OUTROS: Maracutaia. O Maracatu pop cult bacaninha da turma do Etnohous (Bejeishá e Mohandras).  15h na Uruguaiana.
OUTROS*: Saravasso (Ex. Baianada, ex boa noite cinderela), bloco que muda de nome e local todo ano. Possivelmente só saberemos no dia, mas foi eleito por muitos o melhor bloco dos últimos 3 carnavais. Responsável por invadir o aeroporto e tocar na escada rolante e fazer carnaval nos destroços da perimetral.
NÃO IR: Sargento Pimenta: É Beatles que eu também amo, é cult, é descolado, mas são pouquíssimos arranjos, cheio que só a porra, com som baixo e no calor. Passo!

SEGUNDA/NOITE:

SAMBA: Cacique de Ramos Após as 18h na Rio Branco. É apenas o Cacique, e não existe melhor definição!
OUTROS:  Cinebloco, praça XV, centro 19h. Músicas de filme em versão fanfarra. Vá fantasiado de um personagem!!!
NÃO IR: Match Comigo – Bloco da turma do Tinder, sem nenhuma relação com carnaval. Uma desculpa para pegação, mas acho que vai ser fraco.

TERÇA/MANHÃ:

SAMBA: Bagunça o meu coreto, praça são salvador/laranjeiras – É o bloco da tradicional roda de samba que acontece uma vez ao mês na praça.
OUTROS: Vamo ET, bloco e samba que sai da cabeça do Getúlio na Praia do Flamengo chegando na glória. 10h
OUTROS: RIO MARACATU. 17 anos de Maracatu no Rio de Janeiro. Este ano, mais uma vez, com a presença de batuqueiros do Porto Rico e do Estrela Brilhante do Recife. 10 horas no posto 8. Super família e ainda dá pra dar um mergulho e curtir uma praia.
NÃO IR: Carmelitas… Santa teresa só funciona até sábado, depois é uma merda…

TERÇA /TARDE:

SAMBA: Sério que tu ainda quer samba?
OUTROS: Orquestra Voadora – Pai, mãe, e casal gay adotivo de todas as fanfarras do Rio de Janeiro (e do RS 😉 ) Mega festa no aterro em frente ao Cabeção do Getúlio/Hotel Glória.
NÃO IR: É tudo ou Nada – Encontro de amigos de colégio que fopi transformado em um bloco. Confuso e sem sentido se tu não estudou no colégio Pedro II.

TERÇA/NOITE

Então, se conseguir, o Viemos do Egyto é uma loucuragem muito bacana saindo as 21h da cinelandia… ano passado foi até as 6 da matina!

A partir daí o que conseguir (ter força/dinheiro/paciência/Saúde) é lucro… Tem o Planta na Mente, Quizomba, mulheres de Chico, super Mario Bloco…

Sentiu falta de algum bem maneiro, manda pra mim!

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PROGRAMAÇÃO OFICIAL DE CARNAVAL DA JUVENTUDE DO IAN 2014

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Vai ter carnavalE ai turma!
Atendendo a diversos pedidos segue a programação da JUVENTUDE DO IAN para o carnaval do Rio. A tradicional lista moderninha que vai tirar você do sério.
Neste ano tentei colocar uma alternativa e avisar o povo das furadas. Segue as dicas:
SEXTA/TARDE:

SAMBA*: Carmelitas/Almirante Alexandrino (em frente ao CEAT) – 15h as 19h – Sta. Tereza. Bloco tradicional que deve diminuir com a mudança de local da concentração. O ideal é ficar entre o Carro principal e o carro de apoio da frente. Subir pela Rua Alice ou pelo Cosme Velho!
OUTROS: Bloco das Pin-Ups/Largo dos Guimarães – “O objetivo do bloco é relembrar momentos importantes da história da cultura carioca que tiveram as mulheres como destaque. As ‘pin-ups’ foram tomadas como símbolo pelo grupo “pelo muito que elas representaram em termos de avanço de padrão de comportamento  feminino na sua época”, disse.” Fonte EBC http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/02/bloco-das-pin-ups-desfila-pela-primeira-vez-em-santa-teresa
NÃO IR: Bloco dos Aposentados – Tipo Bloco de tiazona e do Vovô.

SEXTA/NOITE:

SAMBA: Bloco Virtual/leme com Rua Antônio Vieira – Ligado à Sebastiana, liga dos grandes blocos do Rio, é um bloco “construído virtualmente” na plataforma http://www.carnavalvirtual.com/
OUTROS*: Brejeiro/Metrô do Flamengo com a Marquês de Abrantes (bar Picote)umas 19, 20 horas. Bloco autogestionado que não pede autorização. Composto por músicos da orquestra voadora, Siderais, Cinebloco e vários outros, toca o que quiser(em). Segue na contramão da Paysandu para a São Salva!
NÃO IR: Bloco da Rádio Beat 98 – Qualquer coisa vindo desta Rádio é (muito) trash!

SÁBADO/MANHÃ:

SAMBA: Céu na Terra/Largo dos Guimarães para o Largo das Neves 8, mas cheguem antes – Cheio? É! Confuso? Sim! Mas chegando cedo e ficando na frente da bateria vale muito. O Clima de Santa é sempre bacana…
OUTROS: Multibloco – Uma opção mais tarde (11h) bacana, e perto do depósito para comprar bebida!
NÃO IR: Bola Preta – É só o maior Bloco do mundo. Bondes, multidões, calor, porrada, equipes de bate-bola (essa parte é legal). Beira o suicídio. Se quiser manter a dignidade e seguir pelo resto do carnaval, não vá! Ou vá e corra para um Spá em seguida!
NÃO IR: Dois Pra lá, Dois pra cá.- Bloco do Carlinhos de Jesus, de sua escola de dança. Tem abadá e atrasa até as “estrelas chegarem”.

SABADO/TARDE:

SAMBA: Barbas O bloco sai da Rua Arnaldo Quintela 16h, entra na Rua da Passagem e vai até a Rua Álvaro Ramos. O destaque é o Carro pipa e o samba do ano. Misturam algumas músicas e não ficam o tempo todo tocando a mesma coisa.
SAMBA: Sassaricando. 15h na  Eu mesmo tive muita resistência por ser o bloco do Pesquisador Sergio Cabral, o Pai do ser que governa este Estado, mas ele tem uma grande pesquisa de marchinhas tradicionais.
OUTROS: Grupo de Estudos do Baque Virado. Um dos filhos do Rio Maracatu. Sai as 15h (com atraso) do aterro na altura do Belmonte do Flamengo. Vem andando para a São Salvador.
OUTROS: Exalta Rei. Bloco temático em Homenagem ao Roberto Carlos. Pode parecer ridículo, mas você certamente saberá todas as letras e vai encontrar todos os amigos cult de óculos de armação grossa e quadrado. Uma galera bonita e disposta… 17h no prédio do MEC.
NÃO IR: Bloco Show do Antonio Carlos  – É o Bloco do Radialista da Rádio Globo. Se tu não escuta todo dia o seu programa, porque ir na porra do bloco do cidadão? E é daquele jeito popular tosco de rádio de segunda!

SÁBADO/NOITE:

SAMBA: Seu Largarto Mama. Concentração: 28 de setembro, esquina com Visconde de Abaeté, as 19h. Turma que era das Ciências Sociais da UFRJ.  Pegada de samba com um bom reconhecimento.
OUTROS: De palhaço e louco todo mundo tem um pouco. 18 h na Gal Glicério em Laranjeiras – Bloco de Temática circense.
NÃO IR: Os móveis… Turma de antiquário fazendo bloco…

DOMINGO/MANHÃ/TARDE:

SAMBA: BOITOLO/BOITATÁ: Todos os caminhos levam para a Praça XV e palácio Tiradentes de onde saem os dois tradicionalíssimos Um grande bailão com TODOS fantasiados ou uma festa épica pelas ruas do centro. Da pra ir nos dois! Bloco cedo. 8 da Matina!
OUTROS: Bangalafumenga no Aterro as 10h. Uma pesquisa por outros ritmos. Um dos grandes do Aterro. Mas se prepare para o inferno…
NÃO IR: Areia – Bombados de Leblon e Ipanema achando que estão em micareta.

DOMINGO/TARDE:

SAMBA: Fanfarani. Bloco de samba da tradicional rua de bares de botafogo. Concentra na rua Chaim (atraz do edifício Argentina) 16h
OUTROS: Toca Raul, as 18h na Praça Tiradentes. É o de sempre.. as pessoas ficam bêbadas e começam a pedir pra tocar Raul.. Dai fizeram um bloco só de Raul Seixas.
OUTROS: É do Pandeiro. Calminho para quem morreu antes. Parado na São Salvador, bloco só de pandeiros. 17h
OUTROS: Tambores de Olokum. Maracatu com uma pegada diferente, com um acréscimo forte do Timbau e das batidas do Camdomblé! 16h na Igreja de N. Sra. Do Rosário, Uruguaiana 77
NÃO IR: Simpatia é quase amor. Ainda que comece o bloco com um “ALO BURGUESIA DE IPANEMA!” É cheio, o bloco cult que sai em coluna social no dia seguinte e cheio de “pessoas diferenciadas”
NÂO IR: New Kids on the block – Bloco de Boy band… Preciso falar mais?

DOMINGO/NOITE:

SAMBA: Cacique de Ramos Após as 21h na Rio Branco. É apenas o Cacique, e não existe melhor definição!
OUTROS: Outros? É o Cacique!
NÃO IR: Qualquer outro.

SEGUNDA/MANHÃ:

SAMBA: Volta Alice, Rua Alice 24, as 10h. Samba do ano alternado com outros. Uma batera de percussionistas de tudo quanto é canto.
OUTROS: (É difícil encontrar algo bom na segunda de manhã… )
NÃO IR: Afroreggae – O Afroreggae fica em Vigário Geral, mas sai em Ipanema pois quer dar a chance aos racistas de dizerem que convivem com a cultura negra. Patrocínio da Globo e flashes para o Multshow… Deu né?

SEGUNDA/TARDE:

SAMBA: Cartola é do Catete. Bloco em homenagem ao Cartola. Boa música e gente com bom gosto. 16:20 do Largo do Machado.
OUTROS: Comuna que Pariu (bloco comunista). Bloco dos comedores de criancinha. Se tiver filhos, leve envolto em um Alface para facilitar a digestão.
14:00 – Câmara dos Vereadores – Cinelândia
OUTROS:  Cinebloco, luiz de camões, glória 17h. Músicas de filme em versão fanfarra. Vá fantasiado de um personagem!!!
OUTROS: Maracutaia. O Maracatu pop cult bacaninha da turma do Etnohous (Bejeishá e Mohandras).  15h na Uruguaiana.
NÃO IR: Bonytos de Corpo: Fortinhos, marombados, quero ser diva.. esse é o clima… Dispenso!
NÃO IR: Sargento Pimenta: É Beatles que eu também amo, é cult, é descolado, mas são pouquíssimos arranjos, cheio que só a porra, com som baixo e no calor. Passo!

SEGUNDA/NOITE:

SAMBA: Rancho Flor do Sereno. Marchinhas tradicionais em um palco em Copacabana. Atlantica com Julio de Castilhos, 19h
OUTROS: Ex-Boa Noite Cinderela, Ex-Baianada, Ex-O Sertão vai virar mar, Ex…, bloco que muda de nome e local todo ano. Possivelmente só saberemos no dia, mas foi eleito por muitos o melhor bloco dos últimos 2 carnavais. Responsável por invadir o aeroporto e tocar na escada rolante.
NÃO IR: Em qualquer outro…

TERÇA/MANHÃ:

SAMBA: Vamo ET, bloco e samba que sai da cabeça do Getúlio na Praia do Flamengo chegando na glória. 10h
OUTROS: RIO MARACATU. 16 anos de Maracatu no Rio de Janeiro. Este ano, mais uma vez, com a presença de batuqueiros do Porto Rico e o Maurício, Baiana Rica do Estrela Brilhante do Recife. 10 horas no posto 8. Super família e ainda dá pra dar um mergulho e curtir uma praia.
NÃO IR: Carmelitas… Santa teresa só funciona até sexta, depois é uma merda…

TERÇA /TARDE:

SAMBA: Sério que tu ainda quer samba?
OUTROS: Orquestra Voadora – Pai, mãe, e casal gay adotivo de todas as fanfarras do Rio de Janeiro (e do RS 😉 ) Mega festa no aterro em frente ao hotel ali do catete com o Palácio do Catete (Novo Mundo?)
NÃO IR: Qualquer outro…

A partir daí o que conseguir (ter força/dinheiro/paciência/Saúde) é lucro… Tem o Planta na Mente, Quizomba, mulheres de Chico, super Mario Bloco…

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Som do Sul

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Turu

Tem um bom tempo que escrevi um Post sobre novas bandas nacionais. Desde este período, a diminuição das postagens colidiu com um vasto período de imersão no dia a dia da cultura, seja com o trabalho para o Estado, seja no palco, tocando com coletivos.

Nada mais natural que agora, residindo em outras querências, promova o retorno deste blog (sujo) com um pouco do contato que tive com os grupos do Sul que se destacam em uma cena independente.

Começo pelos já famosos Apanhador Só. Presentes na lista anterior, agora aparecem com seu novo álbum “Antes que tu conte outra”. Um pouco mais conturbado, é um trabalho que une o quarteto roqueiro informal com pequenas intervenções eletrônicas e de bugigangas.

Música indicada: Despirocar

www.apanhadorso.com 

https://www.facebook.com/apanhadorso?fref=ts

Outra banda bem interessante que tive o prazer de encontrar em Porto Alegre foi a turma do Capitão Rodrigo. Um som meio cigano, meio do leste europeu, meio gaudério, meio.. sei lá… um show bem animado e participativo com destaque para os bonecos da grande família Cambará! Em breve com o CD que está sendo finalizado e novo espetáculo! 

Música indicada: Pra que Casar?

http://www.capitaorodrigo.com.br/

https://www.facebook.com/bandaCapitaoRodrigo?fref=ts

Uma turma que se destaca em Porto Alegre é o Tribo Brasil. Talvez a banda da Cidade Baixa com mais público fiel. Com repertório próprio que significará um novo CD em 2014, também passa em seus shows por muita MPB e fizeram um ótimo trabalho com o Tábua de Esmeradas do Jorge Ben. Vale acompanhar.

Música indicada: Sorriso Banguela 

http://bandatribobrasil.com.br/home/

 https://www.facebook.com/TRIBOBRASIL?fref=ts

Outro dia estava assistindo o Botafogo (minto, era a Ponte Preta, mas interessava ao Botafogo) e tinha uma banda que me chamou muito a atenção. Trazer o Bombo dos estádios para o rock não é fácil. Palmas para o Bombo Larai.  A influência das terras próximas (Uruguai e Argentina) é bem bacana também.

Música indicada: Saliva

http://www.bombolarai.com.br/

https://www.facebook.com/BomboLarai?fref=ts

Finalizando, trago um projeto bem bacana que encontrei. Uma pegada de monobloco, passando por Amy Winehouse, Criolo e clássicos do samba. Uma pegada que coloca 10 mil na rua, geral pilhado e sem qualquer notícia de qualquer incidente infeliz. Esse é o Turucutá, Batucada Coletiva Independente. 

Música indicada: Toque do Tambor

http://turucuta.blogspot.com/

https://www.facebook.com/turucuta?fref=ts

Carta entregue pelo Mov. Social das Culturas à nova Ministra da Cultura Marta Suplicy

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Prezada Ministra Marta Suplicy,

Sua posse significa para nós a possibilidade de recuperar a grandeza e relevância na ação do Ministério da Cultura. Sua trajetória política como prefeita, ministra e senadora nos abre enormes possibilidades de avanço. Oportunidade de recuperar, na área cultural, o sentido de mudança que marcou a eleição de um operário e uma mulher como presidentes. Sentido de uma nova importância estratégica para a cultura que redefiniu a ação do Estado, desde a eleição do ex-presidente Lula – e que tem no governo da presidente Dilma a possibilidade ir além.

Em todas as áreas sociais, mas na cultura em especial, o governo Lula ampliou a ação do poder público, tornando-a abrangente e complexa. E também definiu um novo lugar da sociedade. Envolvendo-nos a todos na co-responsabilidade de formulação e gestão das políticas, deu um salto nas relações entre governo e sociedade civil. Em especial na cultura, o governo passou a se relacionar com dezenas de milhares de projetos, grupos e movimentos culturais. Os mais de 4000 pontos, pontões e pontinhos são apenas 10% das parcerias estabelecidas. Acreditamos que esta amplitude é um dado positivo não apenas para nós, do campo cultural, mas para a qualidade do desenvolvimento que queremos para o Brasil.

Consideramos que a gestão de Ana de Hollanda (e sua equipe de Secretários e presidentes) foi marcada por ausência de diálogo, interrupção de política públicas, omissão frente aos grandes temas e conservadorismo político. Focado na indústria cultural tradicional, nas belas artes, o MinC perdeu significado social, político e cultural. Regredindo para uma ideia elitista de cultura, a gestão Hollanda dedicou-se surpreendentemente a negar o que havia sido contruído em oito anos. A nova gestão herda agora muitos destes nós e desafios.

No vácuo deixado pelo MinC, os movimentos culturais ocuparam o vazio não apenas para resistir, mas para levar adiante a agenda da cultura. Desse ponto de vista, muito avançamos em lucidez e na capacidade de defender agendas que unem a maior paret do setor cultural.

Acreditamos que sua posse encerra este ciclo. E por isso defendemos que os programas e ações precisam não apenas ser retomados, mas fortalecidos, ampliados e atualizados. A sociedade quer voltar a formular junto ao MinC, sobretudo, para abrir novas portas e caminhos não desbravados.

O Ministério da Cultura que queremos precisa ter as portas abertas, ser republicano, posicionando a cultura acima de interesse partidários, armadilhas tecnocráticas ou lobbies (muito oriundos do próprio mundo da cultura) que tentam minar a ação pública.

Assim ouvimos com alegria o chamado da Ministra ao diálogo e à construção de uma agenda. Respeitosamente, nós, movimentos da cultura, artistas, produtores culturais, intelectuais, grupos culturais, pontos de cultura, povos de terreiro apresentamos algumas propostas. Agendas que encontram base no Plano Nacional de Cultura (2010), na II Conferência Nacional de Cultura.

1- É preciso destravar agenda da modernização da Lei de Direitos Autorais e da fiscalização da gestão coletiva, em especial do ECAD. Se de um lado, artistas são fragilizados pelo atual sistema. De outro, o compartilhamento do conhecimento, a internet e a inovação são ameaçadas por uma legislação anacrônica de direito autoral.

2- A lei Rouanet continua gerando enormes distorções e concentrações de recurso público. Por isso, é fundamental a reforma imediata no financiamento da cultura, com a tramitação e posterior sanção do Procultura e do Vale-Cultura. É preciso recuperar a presença do MinC no Congresso Nacional: seja para o acompanhamento do MinC na tramitação dos projetos de lei da cultura, seja para garantir o mínimo de 20% de investimento privado em cada projeto cultural. É preciso retomar a parceria com as Estatais, para editais mais democráticos e transparentes.

3 – É preciso garantir o apoio do MinC à Internet Livre, ao Marco Civil da Internet, às redes sociais e culturais, a retomada do espaço de promoção da cultura digital, ativamente, por meio de políticas que já foram desenhadas nas edições dos Fóruns de Cultura Digital.

4- Retomar o fomento à diversidade cultural, com especial atenção aos indígenas, aos pontos de cultura, quilombolas, povos de terreiro, griôs, e seus projetos culturais. Estudar a possibilidade de reverter o decreto de desmantelamento (em 2012) da Secretaria de Diversidade Cultural, responsável por esta agenda. Com Lula, ultrapassamos o redutor modelo da Identidade (herdeiro do positivismo, do nacionalismo e do militarismo). Hoje nossa grande pauta internacional é a Diversidade Cultural, no qual a identidade não é percebida como conjunto homogêneo, mas como rico agrupamento de signos. Desejamos a retomada vigorosa de políticas para indígenas, ciganos, GLBT, infância, terceira idade.

5- É necessário urgentemente destravar e ampliar o Programa Cultura Viva. Os pontos de cultura estão há dois anos em permanente asfixia administrativa promovida pelo MinC. É preciso interromper o interminável ciclo de “avaliação” do programa, iniciado em 2011, que não levou a lugar algum e desmobilizou a sociedade.

6- As artes precisam de políticas mais efetivas. É preciso desprovincianizar a Funarte, dando a ela um caráter nacional, plural, e capaz de desenvolver políticas fundamentais na área de música, artes visuais, cênicas. É preciso mudar a sede para Brasília. A Funarte não pode ser apenas uma gestora de equipamentos, mas comandar as políticas nacionais de artes. As políticas do MinC precisa ter alcance nacional e buscar combater as desigualdades regionais. Suas instituições devem ter sede em Brasília, na capital federal.

7- É fundamental a mudança de rumo da Secretaria do Audiovisual e sua reorientação para trabalhar em todas as suas dimensões criativas, técnicas e de preservação do audiovisual. Retomar a agenda das TV públicas, e a interface com a agenda da comunicação. É necessário recuperar programas que foram interrompidos de forma arbitrária, como o DOC-TV Brasil.

8- Recuperar a capacidade articulação do MinC com outros ministérios da áreas social. Educação sem cultura é ensino, saúde sem cultura é remediação, segurança sem cultura é repressão, desenvolvimento social sem cultura é assistencialismo. A ação da praças de esporte e cultura tem sido conduzidas sem qualquer transparência.

9- Distanciar o MinC de lobbies privados que agenciam a Lei Rouanet e operam a partir do ECAD. Promover uma política de fomento sem atendimento prioritário de partidos, clientelas ou dos grandes operadores de incentivo fiscal. As reformas da Lei Rouanet e do Direito Autoral, devem ser feitas a partir de uma visão de conjunto .

10 – Sanear a Biblioteca Nacional, garantindo que essa importante instituição cumpra sua missão de guarda e disponibilidade do acervo. Sugerimos um novo locus de coordenação da política de leitura, dentro do MinC, para que a política seja a mais ampla. Sanear a política de livro e leitura de lobbies de editoras e livreiros.

11- Garantir transparência na gestão do IBRAM e atualizar o Iphan. As políticas para museus não podem ignorar a demanda de acervos de artes visuais no Brasil.

12- A Ancine se transformou numa mega agência de regulação de conteúdo. Manter a agência reguladora equidistante de lobbies de produtores cinematográficos, garantindo sua eficiência e interesse público.

A partir desses considerandos, o movimento social das culturas se dispõe a construir conjuntamente uma agenda de trabalho como o #NovoMinC.

Brasília, 20 de setembro de 2012

“A música caipira é música brasileira”, do site do Encontro Unitário dos Trabalhadores, Trabalhadoras e Povos do Campo, das Águas e das Florestas

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Publicado em 21/08/2012

O Encontro Nacional Unitário dos trabalhadores, trabalhadoras e povos do campo, das águas e das florestas, além de contar com debates políticos que buscam a união dos movimentos sociais, tem noites culturais nas quais a cultura dos povos está representada. A dupla de música caipira Zé Mulato e Cassiano, formada há mais de 35 anos, com 16 discos gravados e mais de 300 músicas compostas, realizou um show na segunda-feira (20) no qual a realidade camponesa foi retratada. “Nós não escrevemos sobre essa realidade. A realidade do campo é a nossa realidade”. Diz Zé Mulato. Cassiano concorda: “Somos brasileiros, mineiros e do pé rachado, com muito orgulho”.

Confira a entrevista com Zé Mulato e Cassiano:

Quando vocês pensam em música, o que ela significa para vocês, e que função ela tem?

Cassiano: Música é ritmo, harmonia e melodia. No nosso caso, é a música caipira. A definição principal de caipira no Brasil é a que Monteiro Lobato popularizou, de um caipira preguiçoso, lombriguento, inútil. Essa versão me deixa irritado, porque eu nasci na roça: a vida é dura e difícil, mas não tem ninguém preguiçoso. Essa caricatura do Monteiro Lobato ficou na cabeça das pessoas, que imaginam que nós caipiras somos burros, trogloditas, e não é isso que nós somos.

Hoje o chamado sertanejo é uma caricatura do cowboy americano, com aqueles chapéus grandes, botas esquisitas, uma fivela enorme que parece uma frigideira…e essa caricatura é o que passa como verdadeiro sertanejo no nosso país.

Zé Mulato: A música é um veículo, é uma condição que temos de passar a nossa poesia, o nosso modo de sentir as coisas. Qualquer uma música consegue passar um sentimento, ela é ótima. A música para nós é o meio de expressar sentimento para as pessoas e tentar alcançar o sentimento delas, da forma mais simples possível, pois o nosso público é simples. E quando eu digo “simples” não quero dizer pobre, e sim pessoas com o coração simples.

Como vocês definem a música de vocês?

Zé Mulato: A gente tem dito em algumas letras que preferimos chamar a nossa música de “caipira” ao invés de “sertaneja”, porque isso dá o máximo de autenticidade possível e fazemos questão de preservar a simplicidade como algo que tenha a ver com nossa cultura. Temos sido bastante aceitos, tanto pelos jovens como pelos mais maduros, e acreditamos que estamos no caminho certo. Sabemos do nosso tamanho, que não somos do tipo da grande mídia, mas somos bem recebidos pelo Brasil todo.

Qual a diferença da música que vocês fazem para o sertanejo “comercial”?

Cassiano: Nós cantamos música sertaneja, somos do sertão e tudo mais. Hoje eles inventaram o sertanejo universitário, que de sertanejo não tem nada: são meninos da cidade, que se alimentam do lixo cultural europeu, inserem alguma coisa sertaneja no meio e chamam o produto final de sertanejo. Por isso que preferimos ser chamados de “caipira”. O que é música caipira? É música brasileira. E nós somos brasileiros, mineiros e do pé rachado, com muito orgulho. Gostamos de cantar e que nos chamem de caipira para ninguém confundir com a música horrorosa que está aí.

Zé Mulato: Não tenho nada contra esses gêneros musicais, como o funk ou reggae, se a música feita tem a intenção de transmitir algum sentimento. Meu problema é quando o artista não se importa em transmitir um sentimento, e as músicas são feitas apenas para ganhar dinheiro.

Como vocês retratam a realidade do campo na música de vocês?

Zé Mulato: Nós não escrevemos sobre essa realidade. A realidade do campo é a nossa realidade. Eu presto muita atenção no que é a natureza, no que eu aprendi com meu avô, e o que tem para descobrirmos na natureza é muito ainda. Por isso que falamos sobre o campo e natureza; para que alguém pegue o nosso trabalho e seja capaz de aprofundar.

Cassiano: Um dia que o ser humano entender o que Deus falou lá no começo: “Tu és pó e ao pó retornará.” O dia que ele entender que ele é terra, que ele faz parte da natureza e não se difere dela, a humanidade vai estar boa. Mas até lá, enquanto ele achar que é um trem diferente, não vai dar certo.

Há quanto tempo vocês cantam?

Zé Mulato: Formamos a dupla oficialmente em 1974.

Cassiano: Gravamos o primeiro disco em 1978. Temos mais de 35 anos de dupla. Nessa época, o país estava entrando no processo de poluir a mente dos jovens. No meio do processo de arrebentar com a nossa cultura, nós entramos com a música caipira. As pessoas gostavam da música caipira pois era algo com que elas se identificavam, mas elas escutavam o disco escondido.

Hoje, apesar dessa bagunça toda, o jovem tem uma cabeça melhor, porque ele pode gostar de rock, de reggae, de funk e de música caipira sem nenhum preconceito, e quando diminui o preconceito tudo melhora. Antigamente parecia que a nossa música era um trem de outro planeta, hoje isso não existe mais.

Como é tocar neste encontro?

Zé Moreno: Para nós é sempre uma felicidade poder levar nossa mensagem para pessoas simples. Quando o povo já vem sabendo o tipo de música que vai ouvir, a gente canta feliz e tranquilo. Até esquecemos que estamos em um palco trabalhando, nos sentimos parte deles.

Texto Original: http://encontrounitario.wordpress.com/2012/08/21/a-musica-caipira-e-musica-brasileira/

Manifesto Por uma Arte Revolucionária Independente – André Breton e Leon Trotsky

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Publicado originalmente em  http://old.kaosenlared.net/noticia/cultura-manifesto-uma-arte-revolucionaria-independente

Em 1938, na Cidade do México, o revolucionário russo Leon Trotsky e o poeta surrealista francês André Breton redigiram, após longas discussões, o manifesto “Por uma arte revolucionária e independente”. Embora tivessem encontrado-se pela primeira vez poucos meses antes da redação do manifesto, anos antes um forte laço vinha se formando entre estas duas personagens tão importantes quanto diferentes do século XX. Quando ainda membro do Partido Comunista Francês (PCF) , no começo da década de 30, Breton e alguns outros artistas próximos a ele rejeitam a chamada “literatura proletária”, imposta pelo estalinismo, através da Associação Russa de Escritores Proletários (AREP). Neste debate, travado dentro da Associação de Escritores e Artistas Revolucionários (AEAR), utilizam argumentos próximos das teses desenvolvidas por Trotsky na obra Literatura e Revolução, escrita em 1924. Mais tarde, em 1934, assumem abertamente postura contrária à expulsão de Trotsky da França e saúdam “o organizador do Exército Vermelho que permitiu ao proletariado conservar o poder apesar do mundo capitalista coligado contra ele”, no panfleto “Planeta sem passaporte”. No ano de 1935, rompem definitivamente com o PCF, no congresso internacional de escritores em defesa da cultura. Entre 1936 e 1938, a Rússia vê, apavorada, sob as ordens de Stálin, os opositores à burocracia contra-revolucionária que assumira o controle do país serem assassinados ou deportados, naquilo que ficou conhecido como os Processos de Moscou. Quando Trotsky e Breton se encontravam pela primeira vez, em maio de 1938, os últimos sobreviventes da Oposição de Esquerda russa estavam sendo assassinados. O manifesto escrito em 25 de julho faz o chamado à construção da Federação Internacional da Arte Revolucionária e Independente (FIARI), a qual, surgida às vésperas do início da Segunda Guerra Mundial, teve uma breve existência. No entanto, a FIARI, mesmo tendo se dissolvido ainda no início de 1939, e seu manifesto cumpriram o papel ao qual se propunham. Da FIARI, enquanto existiu, aglutinar os artistas que não viam nem no capitalismo, sendo o regime fascista ou democrático, nem no autoritarismo estalinista a solução para os problemas da arte, mas sim na luta pela independência da arte e pela derrocada do capitalismo. O do manifesto, de ser o grito dos artistas das novas gerações que buscam sua liberdade de criação, sua emancipação, rumo à revolução socialista mundial.

    Por uma Arte Revolucionaria Independente

 

André Breton e Leon Trotsky

1) Pode-se pretender sem exagero que nunca a civilização humana esteve ameaçada por tantos perigos quanto hoje. Os vândalos, com o auxílio de seus meios bárbaros, isto é, deveras precários, destruíram a civilização antiga num canto limitado da Europa. Atualmente, é toda a civilização mundial, na unidade de seu destino histórico, que vacila sob a ameaça das forças reacionárias armadas com toda a técnica moderna. Não temos somente em vista a guerra que se aproxima. Mesmo agora, em tempo de paz, a situação da ciência e da arte se tornou absolutamente intolerável.

2) Naquilo que ela conserva de individualidade em sua gênese, naquilo que aciona qualidades subjetivas para extrair um certo fato que leva a um enriquecimento objetivo, uma descoberta filosófica, sociológica, científica ou artística aparece como o fruto de um acasoprecioso, quer dizer, como uma manifestação mais ou menos espontânea da necessidade. Não se poderia desprezar uma tal contribuição, tanto do ponto de vista do conhecimento geral (que tende a que a interpretação do mundo continue), quanto do ponto de vista revolucionário (que, para chegar à transformação do mundo, exige que tenhamos uma idéia exata das leis que regem seu movimento). Mais particularmente, não seria possível desinteressar-se das condições mentais nas quais essa contribuição continua a produzir-se e, para isso, zelar para que seja garantido o respeito às leis específicas a que está sujeita a criação intelectual.

3) Ora, o mundo atual nos obriga a constatar a violação cada vez mais geral dessas leis, violação à qual corresponde necessariamente um aviltamento cada vez mais patente, não somente da obra de arte, mas também da personalidade “artística”. O fascismo hitlerista, depois de ter eliminado da Alemanha todos os artistas que expressaram em alguma medida o amor pela liberdade, fosse ela apenas formal, obrigou aqueles que ainda podiam consentir em manejar uma pena ou um pincel a se tornarem os lacaios do regime e a celebrá-lo de encomenda, nos limites exteriores do pior convencionalismo. Exceto quanto à propaganda, a mesma coisa aconteceu na URSS durante o período de furiosa reação que agora atingiu seu apogeu.

4) É evidente que não nos solidarizamos por um instante sequer, seja qual for seu sucesso atual, com a palavra de ordem: “Nem fascismo nem comunismo”, que corresponde à natureza do filisteu conservador e atemorizado, que se aferra aos vestígios do passado “democrático”. A arte verdadeira, a que não se contenta com variações sobre modelos prontos, mas se esforça por dar uma expressão às necessidades interiores do homem e da humanidade de hoje, tem que ser revolucionária, tem que aspirar a uma reconstrução completa e radical da sociedade, mesmo que fosse apenas para libertar a. criação intelectual das cadeias que a bloqueiam e permitir a toda a humanidade elevar-se a alturas que só os gênios isolados atingiram no passado. Ao mesmo tempo, reconhecemos que só a revolução social pode abrir a via para uma nova cultura. Se, no entanto, rejeitamos qualquer solidariedade com a casta atualmente dirigente na URSS, é precisamente porque no nosso entender ela não representa o comunismo, mas é o seu inimigo mais pérfido e mais perigoso.

5) Sob a influência do regime totalitário da URSS e por intermédio dos organismos ditos “culturais” que ela controla nos outros países, baixou no mundo todo um profundo crepúsculo hostil à emergência de qualquer espécie de valor espiritual. Crepúsculo de abjeção e de sangue no qual, disfarçados de intelectuais e de artistas, chafurdam homens que fizeram do servilismo um trampolim, da apostasia um jogo perverso, do falso testemunho venal um hábito e da apologia do crime um prazer. A arte oficial da época estalinista reflete com uma crueldade sem exemplo na história os esforços irrisórios desses homens para enganar e mascarar seu verdadeiro papel mercenário.

6) A surda reprovação suscitada no mundo artístico por essa negação desavergonhada dos princípios aos quais a arte sempre obedeceu, e que até Estados instituídos sobre a escravidão não tiveram a audácia de contestar tão totalmente, deve dar lugar a uma condenação implacável. A oposição artística é hoje uma das forças que podem com eficácia contribuir para o descrédito e ruína dos regimes que destroem, ao mesmo tempo, o direito da classe explorada de aspirar a um mundo melhor e todo sentimento da grandeza e mesmo da dignidade humana.

7) A revolução comunista não teme a arte. Ela sabe que ao cabo das pesquisas que se podem fazer sobre a formação da vocação artística na sociedade capitalista que desmorona, a determinação dessa vocação não pode ocorrer senão como o resultado de uma colisão entre o homem e um certo número de formas sociais que lhe são adversas. Essa única conjuntura, a não ser pelo grau de consciência que resta adquirir, converte o artista em seu aliado potencial. O mecanismo de sublimação, que intervém em tal caso, e que a psicanálise pôs em evidência, tem por objeto restabelecer o equilíbrio rompido entre o “ego” coerente e os elementos recalcados. Esse restabelecimento se opera em proveito do ”ideal do ego” que ergue contra a realidade presente, insuportável, os poderes do mundo interior, do “id”,comuns a todos os homens e constantemente em via de desenvolvimento no futuro. A necessidade de emancipação do espírito só tem que seguir seu curso natural para ser levada a fundir-se e a revigorar-se nessa necessidade primordial: a necessidade de emancipação do homem.

8) Segue-se que a arte não pode consentir sem degradação em curvar-se a qualquer diretiva estrangeira e a vir docilmente preencher as funções que alguns julgam poder atribuir-lhe, para fins pragmáticos, extremamente estreitos. Melhor será confiar no dom de prefiguração que é o apanágio de todo artista autêntico, que implica um começo de resolução (virtual) das contradições mais graves de sua época e orienta o pensamento de seus contemporâneos para a urgência do estabelecimento de uma nova ordem.

9) A idéia que o jovem Marx tinha do papel do escritor exige, em nossos dias, uma retomada vigorosa. É claro que essa idéia deve abranger também, no plano artístico e científico, as diversas categorias de produtores e pesquisadores. “O escritor, diz ele, deve naturalmente ganhar dinheiro para poder viver e escrever, mas não deve em nenhum caso viver e escrever para ganhar dinheiro… O escritor não considera de forma alguma seus trabalhos como um meio. Eles são objetivos em si, são tão pouco um meio para si mesmo e para os outros que sacrifica, se necessário, sua própria existência à existência de seus trabalhos… A primeira condição da liberdade de imprensa consiste em não ser um ofício. Mais que nunca é oportuno agora brandir essa declaração contra aqueles que pretendem sujeitar a atividade intelectual a fins exteriores a si mesma e, desprezando todas as determinações históricas que lhe são próprias, dirigir, em função de pretensas razões de Estado, os temas da arte. A livre escolha desses temas e a não-restrição absoluta no que se refere ao campo de sua exploração constituem para o artista um bem que ele tem o direito de reivindicar como inalienável. Em matéria de criação artística, importa essencialmente que a imaginação escape a qualquer coação, não se deixe sob nenhum pretexto impor qualquer figurino. Àqueles que nos pressionarem, hoje ou amanhã, para consentir que a arte seja submetida a uma disciplina que consideramos radicalmente incompatível com seus meios, opomos uma recusa inapelável e nossa vontade deliberada de nos apegarmos à fórmula:toda licença em arte.

10) Reconhecemos, é claro, ao Estado revolucionário o direito de defender-se contra a reação burguesa agressiva, mesmo quando se cobre com a bandeira da ciência ou da arte. Mas entre essas medidas impostas e temporárias de autodefesa revolucionária e a pretensão de exercer um comando sobre a criação intelectual da sociedade, há um abismo. Se, para o desenvolvimento das forças produtivas materiais, cabe à revolução erigir um regimesocialista de plano centralizado, para a criação intelectual ela deve, já desde o começo, estabelecer e assegurar um regime anarquista de liberdade individual. Nenhuma autoridade, nenhuma coação, nem o menor traço de comando! As diversas associações de cientistas e os grupos coletivos de artistas que trabalharão para resolver tarefas nunca antes tão grandiosas unicamente podem surgir e desenvolver um trabalho fecundo na base de uma livre amizade criadora, sem a menor coação externa.

11) Do que ficou dito decorre claramente que ao defender a liberdade de criação, não pretendemos absolutamente justificar o indiferentismo político e longe está de nosso pensamento querer ressuscitar uma arte dita “pura” que de ordinário serve aos objetivos mais do que impuros da reação. Não, nós temos um conceito muito elevado da função da arte para negar sua influência sobre o destino da sociedade. Consideramos que a tarefa suprema da arte em nossa época é participar consciente e ativamente da preparação da revolução. No entanto, o artista só pode servir à luta emancipadora quando está compenetrado subjetivamente de seu conteúdo social e individual, quando faz passar por seus nervos o sentido e o drama dessa luta e quando procura livremente dar uma encarnação artística a seu mundo interior.

12) Na época atual, caracterizada pela agonia do capitalismo, tanto democrático quanto fascista, o artista, sem ter sequer necessidade de dar a sua dissidência social uma forma manifesta, vê-se ameaçado da privação do direito de viver e de continuar sua obra pelo bloqueio de todos os seus meios de difusão. É natural que se volte então para as organizações estalinistas que lhe oferecem a possibilidade de escapar a seu isolamento. Mas sua renúncia a tudo que pode constituir sua mensagem própria e as complacência degradantes que essas organizações exigem dele em troca de certas possibilidades materiais lhe proíbem manter-se nelas, por menos que a desmoralização seja impotente para vencer seu caráter. É necessário, desde este instante, que ele compreenda que seu lugar está além, não entre aqueles que traem a causa da revolução e ao mesmo tempo, necessariamente, a causa do homem, mas entre aqueles que dão provas de sua fidelidade inabalável aos princípios dessa revolução, entre aqueles que, por isso, permanecem como os únicos qualificados para ajudá-Ia a realizar-se e para assegurar por ela a livre expressão ulterior de todas as manifestações do gênio humano.

13) O objetivo do presente apelo é encontrar um terreno para reunir todos os defensores revolucionários da arte, para servir a revolução pelos métodos da arte e defender a própria liberdade da arte contra os usurpadores da revolução. Estamos profundamente convencidos de que o encontro nesse terreno é possível para os representantes de tendências estéticas, filosóficas e políticas razoavelmente divergentes. Os marxistas podem caminhar aqui de mãos dadas com os anarquistas, com a condição que uns e outros rompam implacavelmente com o espírito policial reacionário, quer seja representado por Josef Stálin ou por seu vassalo Garcia Oliver.

14) Milhares e milhares de pensadores e de artistas isolados, cuja voz é coberta pelo tumulto odioso dos falsificadores arregimentados, estão atualmente dispersos no mundo. Numerosas pequenas revistas locais tentam agrupar a sua volta forças jovens, que procuram vias novas e não subvenções. Toda tendência progressiva na arte é difamada pelo fascismo como uma degenerescência. Toda criação livre é declarada fascista pelos estalinistas. A arte revolucionária independente deve unir-se para a luta contra as perseguições reacionárias e proclamar bem alto seu direito à existência. Uma tal união é o objetivo da Federação Internacional da Arte Revolucionária Independente (FIARI) que julgamos necessário criar.

15) Não temos absolutamente a intenção de impor cada uma das idéias contidas neste apelo, que nós mesmos consideramos apenas um primeiro passo na nova via. A todos os representantes da arte, a todos seus amigos e defensores que não podem deixar de compreender a necessidade do presente apelo, pedimos que ergam a voz imediatamente. Endereçamos o mesmo apelo a todas as publicações independentes de esquerda que estão prontas a tomar parte na criação da Federação Internacional e no exame de suas tarefas e métodos de ação.

16) Quando um primeiro contato internacional tiver sido estabelecido pela imprensa e pela correspondência, procederemos à organização de modestos congressos locais e nacionais. Na etapa seguinte deverá reunir-se um congresso mundial que consagrará oficialmente a fundação da Federação Internacional.

O que queremos:

a independência da arte – para a revolução

a revolução – para a liberação definitiva da arte.

 

 

Cidade do México, 25 de julho de 1938

Homenagem aos 15 anos sem Chico Science – Documentário Viva! Chico Vive!

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No aniversário de 15 anos do falecimento de Chico Science, o Bebendo Música traz o documentário “VIVA! CHICO VIVE!” sobre a importância de Chico na cena musical de Pernambuco e de onde surgiu o seu som.
http://www.youtube.com/watch?v=WJq_G65R7dM&feature=youtube_gdata_player
http://www.youtube.com/watch?v=xuNCXPQ_YHw&feature=youtube_gdata_player
http://www.youtube.com/watch?v=TFXJjwmS_bg&feature=youtube_gdata_player

Sobre o conceito de cultura – Idelber Avelar

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Link para a publicação original

“Cultura” é daquelas palavras escorregadias, aparentemente simples, que com frequência são usadas com sentidos não só diferentes, mas antagônicos. Mais produtivo que estabelecer qual é a definição “correta” de cultura seria observar quais os sentidos adquiridos pela palavra ao longo do tempo e o que eles nos dizem sobre os seus referentes no mundo real. É o que tento fazer na coluna deste mês.

Palavras-Chave, do marxista britânico Raymond Williams, obra publicada no Brasil pela Boitempo, é um ótimo guia do assunto. “Cultura” vem do verbo latino colere, que combinava vários sentidos: cultivar, habitar, cultuar, cuidar, tratar bem, prosperar. Do sentido de habitar derivou colonus. Têm, portanto, origens comuns as ideias de colonização, culto e cultura. Já em Cícero (106 a.C. – 43 a.C.) aparece o sentido de cultura como “cultivo da alma”, mas é mesmo a partir do Renascimento que se consolida a analogia entre o cultivo natural e um desenvolvimento humano. É nesse sentido que Thomas More, Francis Bacon ou Thomas Hobbes, nos séculos XVI ou XVII, falam de “cultura da mente” ou “cultura do entendimento”. É uma metáfora derivada da analogia com o sentido material, agrícola do termo.

A naturalização dessa metáfora fez com que se cristalizasse o sentido de cultivo humano, e nos séculos XVIII e XIX o termo “cultura” começa a aparecer como autossuficiente, dissociado do objeto desse cultivo. Até o século XVIII, tratava-se sempre da cultura de alguma coisa, fossem plantações, animais ou mentes. A partir daí, segundo Willliams, “o processo geral de desenvolvimento intelectual, espiritual e estético foi aplicado e, na prática, transferido para as obras e práticas que o representam e sustentam”. Em outras palavras, firma-se ali o sentido de “cultura” como um bem que alguns possuem e outros não. Esse sentido permanece conosco, quando dizemos que alguém é “culto” ou “tem cultura”. É uma acepção excludente da palavra, que com frequência ganha contornos, inclusive, aristocráticos.

Com a antropologia, no final do século XIX e, especialmente, no século XX, volta-se às raízes materiais do conceito de cultura, mas agora com ênfase na sua universalidade humana. “Cultura” passa a ser entendida como o conjunto de valores, crenças, costumes, artefatos e comportamentos com os quais os seres humanos interpretam, participam e transformam o mundo em que vivem. Nenhuma comunidade humana está excluída dela, embora, também com a antropologia, solidifique-se o processo que faz de “cultura” um adjetivo passível de ser usado no plural. As culturas humanas são múltiplas, diferentes, irredutíveis entre si e, acima de tudo, não são hierarquizáveis. Na acepção antropológica do termo, não há sentido em se falar de mais ou menos cultura, ou de culturas superiores ou inferiores a outras. Há uma veia radicalmente relativista na concepção antropológica de cultura, que se realiza em sua plenitude na obra de Franz Boas, mestre de Gilberto Freyre.

Nos debates sobre política cultural, é sempre instrutivo observar com qual sentido cada interlocutor usa o vocábulo “cultura”. Do ponto de vista antropológico, não teria sentido dizer, por exemplo, “levar culturapara o povo”, posto que qualquer povo está inserido em sua cultura—ele não seria povo sem ela. Mas é frequente que assim se designe a função dos Ministérios ou das Secretarias da cultura. Tampouco teria sentido, exceto na acepção excludente e aristocratizante apontada acima, falar de “produtores de cultura” como uma classe aparte, diferente daqueles que seriam seus meros consumidores. Mas não é incomum, em discussões sobre política cultural, a desqualificação de interlocutores como sujeitos que supostamente estariam “fora” da cultura ou que não seriam “da área” da cultura. Ora, não há seres humanos vivendo em sociedade que estejam fora da cultura.

O uso excludente do termo se reproduz quando se igualam os “produtores de cultura” à chamada “classe artística”. Essa é a sinédoque—redução do todo a uma de suas partes—que me parece mais daninha nas discussões sobre política cultural. A cultura é a totalidade das formas em que um povo produz e reproduz suas relações com os sentidos do mundo. Reduzi-la às indústrias cinematográfica, teatral e fonográfica é reeditar a exclusão segundo a qual alguns produzem cultura e outros a consomem. Implicitamente, é ignorar e desprezar o fazer cotidiano de milhões de brasileiros. Não há por que um pequeno conjunto de profissionais das citadas indústrias, concentrados principalmente em duas cidades brasileiras, se apresentarem como os representantes da área de responsabilidade do Ministério da Cultura. Essa redução atende a interesses nada republicanos e é incompatível com uma concepção democrática de cultura.

Um Estado que tivesse democratizado completamente sua concepção de cultura seria então, no limite, um Estado em que cineastas, atores e compositores não fossem percebidos como sujeitos da culturamais que pedreiros, domésticas ou camponeses. Seria um Estado em que a conversa jamais incluísse expressões como “pessoas que não são da área da cultura”. Seria um Estado onde a ideia de “levarcultura ao povo” não fizesse sentido. Seria um Estado que soubesse encontrar, valorizar e construir pontes entre os muitos fazeres culturais que já estão acontecendo em seu território. Seria um Estado onde fosse impensável que um agente do poder público se apresentasse como representante dos “criadores de cultura”, a não ser que com essa expressão o agente se referisse à totalidade dos que vivem sob a égide desse Estado. Seria um Estado que genuinamente captasse a cultura como a totalidade dos sentidos do fazer humano.

Mais que nomes, cargos, tendências, correntes e conchavos, os acalorados debates em torno do Ministério da Cultura que têm tido lugar no Brasil nos últimos meses são uma oportunidade para que se repense essa questão de fundo: qual é a compreensão de cultura que queremos, quais são as visões e conceitos de cultura que fazem justiça à nossa experiência como povo.

Este artigo é parte integrante da edição 99 da Revista Fórum.

A música vivida no palco.

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Um show é muito mais que os instrumentistas produzindo música debaixo de holofotes para um grupo de pessoas. A música é viva e essa vitalidade deve ser representada nas reações do intérprete de modo a viver os sentimentos expressos na canção.

Vários ícones se firmaram por sua interpretação de palco (e fora dele). A cena de Ozzi arrancando cabeça de morcego com a boca é lendária e combinava com a temática da banda, o Black Sabath. Um pouco à frente na história, David Bowie deu início à trangenia  na música com o personagem Ziggy Stardust (ver texto anterior no blog:  https://bebendomusica.wordpress.com/2010/08/05/seres-androgenos-na-musica/ ) , uma transfiguração em um personagem de uma história com a consequente incorporação dos elementos na atuação de palco.

No Brasil, a presença de palco fica mais centrada na Mpb. Elis Regina era a diva dos pés descalços para sentir a vibração da música e seu batimento. Ney Matogrosso torna-se um camaleão no palco, vivendo o ritmo e sentindo o que canta.

Da nova geração, Pernambuco traz o sentimento para o palco com duas explosões de gestos e expressões, duas figuras marcantes que representam o fogo do novo. Lirinha (Arcoverde), ex-capitão da banda Cordel do Fogo Encantado, e Karina Buhr (Recife), cantora solo que possui em sua banda nada menos que dois dos maiores guitarristas do Brasil, Edgar Scandurra (Ira) e Catatau (Cidadão Instigado).

 

Ambos tem graça, força e rebeldia. Vivem o palco como se fosse o último show de suas vidas, fazendo belíssimos espetáculos. São a linguagem musical muito além da linguagem musical, resultando na construção da música em todos os sentidos.

Um não direito para uma cultura realmente livre!

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Quando se estuda a economia da cultura brasileira e principalmente a legislação sobre os instrumentos culturais e a proteção à propriedade criativa, evidencia-se a inadequação do conceito formal de direito em face da concreta demanda de artistas e população em geral “consumidora” de cultura.

Inicialmente temos que ter claro em nossas mentes que vivemos em uma sociedade 2.0. Governos caem, celebridades nascem e, principalmente, a cultura se espalha na mesma velocidade das conexões, trazendo novos paradigmas para a positivação das normas reguladoras.

O direito, em sua concepção mais clássica, surge como um instrumento protetivo de uma sociedade, ou pelo menos de sua maior parcela. O mesmo possui uma origem pelega, garantista em um aspecto antagônico à perspectiva penalista. É um garantidor do status social e mantenedora da sociedade de classes em que vivemos.

Na cultura, não é diferente. Toda legislação se baseia na posse individual, elemento único na gestão da propriedade imaterial, uma visão que encastela artistas escolhidos pela mídia, jogando aos leões a produção amadora e o novo.

Mas em nossa sociedade 2.0, artistas gritam “MINHA MÚSICA É LIVRE! PIRATEIEM!” trazendo um perspectiva da gestão coletiva e consequentemente de inaplicabilidade da legislação pátria, criando um vacatio legis proporcional à lacuna conceitual.

Formula-se então a necessidade de um não direito, que inverta a necessidade de ser garantidor pela incorporação da acepção de instrumento para fomentar a sociedade cultural.

A instrumentalizacão emancipatória do direito é um não direito pois se contrapõe ao direito da cultura protetivo dos grupos hegemônicos, derrubando o próprio conceito de direito. E esse conflito entre direito de cultura e o não direito de cultura tem um nome antigo e bastante conhecido, LUTA DE CLASSES!

Defender uma cultura livre é portanto lutar pela quebra dos conceitos arcaicos de direito cultural e construção de uma instrumentalização formentiva da doutrina legal, para que, somente assim, a cultura seja realmente livre.